terça-feira, 3 de novembro de 2009

Seja mais sim do que não

Estão anunciando a minha morte
Aos quatro ventos e quatro cantos do lugar
Mas ainda assim confio na sorte
E sigo, freio, continuo sem parafrasear
É que estou tentando essa de amor
Beijando muitos sapos sem parar
Dizem que alguns, como você, são venenosos
Porém, eu vou porque não sei como encontrar
Entorpecida em lábios escorregadios
Mais complico do que esclareço a questão
Não sou daquelas que se preocupam com muitas coisas
Só quero escolher as flores do caixão
Noite de lua e quero ser só sua
Dia de sol e não sei de nada não
Tente levar a alquimia das doses de apego e desapego
Só assim vai segurar na minha mão
Agarre sem pedir na minha cintura
Demonstre loucura e compaixão
Os olhos verdes bem abertos que por vezes fascinam
Devem não se desviar muito da minha direção
Drink me... kisse me... love me...
Nada que precise de explicação
Já te escolhi, escolha a mim
Seja mais sim do que não

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Para Pedro e Oswaldo

O vento entra e quebra xícara dentro da casa
Entra espalhando folhas secas pelo chão
Vai fazendo música quando passa pela asa
Nisso continua enquanto bate no portão
O céu soprando a terra quente
Dia que vai, finalizando devagar
Isso arrepia na pele de gente
É que chuva vem chegando pra apartar

Terra esquentando não atrasa
O povo sai correndo sem chegar
Aflição é sede, o desejo é brasa
Queimando tudo sem saber e sem pesar

A noite se aconchega num céu ainda nublado
Se enrolando nele sem prever
Estrelas suspirando um tanto aliviadas
Por ver a lua iluminando todo querer
Isso arrepia todas as peles enluaradas
Gamadas por sorrir e por gemer

Terra esquentando não atrasa
O povo sai correndo sem chegar
Aflição é sede, o desejo é brasa
Queimando tudo sem saber e sem pesar

O sangue escorregando pela veia em ventre
Estraga tudo e põe pra funcionar
Combustível e embriaguez do corpo eficiente
Por vezes congela mas também pode acelerar
Segue gotejando de forma surpreendente
Pra salvar, condenar, viver e matar

Terra esquentando não atrasa
O povo sai correndo sem chegar
Aflição é sede, o desejo é brasa
Queimando tudo sem saber e sem pesar




segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Gargalhando com os deuses

Eu canto a alegria e o verão
Mesmo quando há tristeza em outra estação
Chorar quando é de chorar
Sorrir quando é de sorrir
Que a vida não é só chegar
Que a vida não é só partir
Cometamos a sensatez de deixar fluir
Quando não dá pra remar
E a correnteza seguir...
Que o rio também corre lá
Como ele corre aqui em mim
Por mim, enfim
Eu bebo das fontes do mundo
Seja em estreito raso ou largo profundo
Sou o seu avesso e o avesso inverso
Por isso, tão sem endereço
Minha casa é o universo
Não entenda como arrogância
A descrição desse contexto
Quando digo que quero tudo
E tudo mereço...

Constatação

Pra que insistir na dor de cotovelo
Se ainda restam mil partes
Do pé à raiz do cabelo
Eu não te perdi...
Mesmo quando estava aqui
Você nunca foi meu
Então ninguém ganhou ou perdeu
Só demorou a constatação
Agora deixar disso, largar mão
Volta pra você sem ilusão

Pra que desistir do amor
Se ainda restam mil pétalas
Formando flor em flor
Eu não vou desistir...
Mesmo quando te vejo partir
A vida sempre continua
Então cada um na minha ou cada um na sua
Só festejando a sensação
Agora tudo é isso, nada em vão
Volto pra mim sem ilusão

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Um samba

Quis fazer um samba
Um samba eu quis fazer
Que é pra sambar
Ao invés de morrer

Quis fazer um samba
Daquele bem alegre
Falar de um infeliz amor...
Só que de forma bem leve

Quiseram muito falar
De fazer samba para mim
E quando peguei no tamborim
O meu coração já tocava assim...

Tum tum, tum tum
Turum tum tum
Tum tum, tum tum
Turum tum tum

Mas hoje me deixam em paz
Pois perceberam que
Quando você faz samba
O samba te faz

E o samba calou a voz dessa dor
Fez ela sorrir e dançar
Com o coração
Querendo mais amor...

Tum tum, tum tum
Turum tum tum
Tum tum, tum tum
Turum tum tum

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